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Tabaco causa mutações genéticas nos pulmões

Um maço de tabaco por dia causa 150 mutações genéticas por ano nos pulmões

Pela primeira vez, estabeleceu-se uma ligação directa entre o número de cigarros fumados e o número de mutações que isso provoca no ADN e que, mais tarde, poderão terminar em cancro.

Que o tabaco mata já não é novidade. Que o cancro é causado por mutações no ADN também já se sabia. O que agora se encontrou pela primeira vez foi uma relação directa entre o número de cigarros fumados e o número de mutações no ADN. Se fumar um maço de cigarros por dia, ao fim de um ano terá provocado nas células dos seus pulmões, em média, 150 mutações genéticas, o que aumenta o risco de cancro – conclui este trabalho publicado esta sexta-feira na revista Science.

Se há produto constituído por substâncias tóxicas e irritantes, é um cigarro. Ao todo, têm cerca de 7000 substâncias químicas, 70 das quais são cancerígenas. Nas estimativas da Organização Mundial da Saúde, todos os anos morrem pelo menos seis milhões de fumadores e até ao final deste século prevê-se que sejam mais de 1000 milhões.

Uma investigação científica coordenada pelo Laboratório Nacional de Los Alamos (Estados Unidos) e pelo Instituto Sanger (Reino Unido), em colaboração com investigadores do Japão, da Coreia do Sul, de Itália e da Bélgica, identificou algumas mutações genéticas provocadas pela exposição, tanto directa como indirecta, ao fumo do tabaco.

“Até agora, tínhamos um largo corpo epidemiológico sobre a relação do fumo com o cancro. Neste momento, também observámos e quantificámos as mudanças moleculares no ADN para quem fuma cigarros”, sublinha em comunicado um dos autores do estudo, Ludmil Alexandrov, investigador de Los Alamos.

Ao todo, a equipa sequenciou o genoma de 5243 cancros. Os cientistas conseguiram determinar que, entre as pessoas que tiveram aqueles cancros, havia 2490 fumadores e 1063 não fumadores e foram estes dois grupos que foram comparados. Quais são então as diferenças nas células dos fumadores e dos não fumadores? E a conclusão a que se chegou, usando um software para reconhecer padrões nas mutações genéticas, é que essas mutações são mais elevadas nos fumadores. Num vídeo, Ludmil Alexandrov explica a investigação.

O número de mutações nocivas causadas pelo tabaco é alarmante, sobretudo nas células dos pulmões, onde os cientistas contabilizaram as já mencionadas 150 alterações genéticas. “Este número é extremamente elevado e aumenta enormemente o risco de desenvolver cancro dos pulmões nos fumadores”, frisa Ludmil Alexandrov ao PÚBLICO.

Um maço de tabaco por dia também é responsável por mutações genéticas noutros órgãos ao final de um ano, concluiu ainda esta investigação: em média, 97 na laringe, 39 na faringe, 23 na boca, 18 na bexiga e seis no fígado.

Neste momento, o tabaco está ligado a 17 tipos de cancros. Ao longo do estudo, identificaram-se mais de 20 mutações específicas associadas a esses 17 cancros. Essas mutações são assinaturas deixadas no ADN pelo tabaco. Contudo, apenas cinco destas mutações são muito frequentes nos fumadores.

Uma dessas mutações genéticas, que os cientistas designaram como “assinatura 4”, resulta mesmo da exposição directa ao fumo do tabaco – ou seja, os danos no ADN são provocados por substâncias cancerígenas contidas no cigarro, como o benzopireno. “As mutações da assinatura 4 também detectadas em cancros da cavidade oral, faringe e esófago, embora em número muito mais pequeno do que nos cancros dos pulmões e da laringe, talvez devido a uma exposição mais reduzida ao fumo do tabaco”, lê-se no artigo científico.

Outra mutação salientada na investigação é a número 5. Previamente descoberta num outro estudo, também no Laboratório Nacional de Los Alamos, esta alteração vai geralmente ocorrendo em todas as células do corpo e com a regularidade conhecida de um relógio. Só que a mutação número 5 é mais rápida nos fumadores do que nos não fumadores, explica um comunicado do Laboratório Nacional de Los Alamos.
Saber para prevenir

“Os resultados são uma mistura de esperado e inesperado, e revelam um retrato dos efeitos directos e indirectos [do tabaco]. As mutações causadas por danos directos no ADN pelos carcinogénicos do tabaco foram observadas principalmente nos órgãos em contacto directo com o fumo inalado”, salienta outro dos autores do estudo, David Phillips, do King’s College de Londres.

E para quem é “apenas” um fumador social? Fumar um ou dois cigarros de vez em quando também origina mutações no ADN, responde-nos Ludmil Alexandrov. “Um simples cigarro pode causar algumas – embora muito poucas – mutações”, salienta o investigador. Mas o risco de as mutações provocadas pelo tabaco virem a resultar em cancro é menor. “Fumar 50 cigarros ao longo da vida resulta, em média, em uma mutação.”

Para além da relação entre o tabaco e o cancro, detectadas ao nível das mutações genéticas que o fumo provoca, este tipo de estudos pode ser aplicado para descortinar a genética envolvida noutros factores de risco oncológico, como a obesidade e a alimentação. “Poderá ser um contributo para a descoberta de outras causas de cancro”, diz ainda Ludmil Alexandrov.

Ter agora a noção do número de mutações genéticas causadas pelo tabaco pode também ser um argumento de peso usado na prevenção do tabagismo. Para Charlie McMillan, director do Laboratório Nacional de Los Alamos, este trabalho “impulsiona o uso de software de reconhecimento de padrões na monitorização genética e representa um avanço criativo na investigação do cancro.”

Mas nem sempre o tabaco foi considerado nocivo. Esta planta veio da América para a Europa, trazida na época dos Descobrimentos. Chegou a ser divulgada como uma planta medicinal extraordinária. Mascado ou inalado, só nos finais do século XIX o uso do tabaco em cigarros se expandiu na Europa.

E se hoje não há dúvidas dos seus malefícios, nem sempre a indústria tabaqueira assumiu essa realidade, como lembra o pequeno livro de divulgação Cancro Ponto e Vírgula, editado em 2015 pelo Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup). “Demoraram [indústria tabaqueira] cerca de 50 anos a admitir que o consumo de tabaco é prejudicial à saúde”, lê-se na publicação, onde se encontra a ilustração de um cigarro, ao qual se faz a “autópsia de um assassino”.

TERESA SERAFIM, in publico.pt

Tabagismo é a primeira causa de morte no país

Fumar foi a primeira causa de morte em Portugal em 2013, entre os factores de risco comportamental, segundo o relatório Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números – 2015, publicado em Fevereiro de 2016 pelo Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo. O tabaco matou 12.350 pessoas em 2013 (devido a várias doenças, desde cancro e doenças respiratórias crónicas e infecções respiratórias até a doenças cardiovasculares), o que representou 11% de todos os óbitos no país. E o grupo etário mais atingido pelo tabaco foi o dos 50 aos 59 anos (cerca de 24% da mortes atribuem-se ao tabaco).

O cancro causado pelo tabaco foi um factor de peso: ao todo, houve 5460 mortes (89% nos homens). O cancro da traqueia, dos brônquios e dos pulmões foi o que causou mais óbitos, contabilizando-se cerca de 3317. Também a exposição ao fumo ambiental foi responsável pela morte de 28 pessoas.

Em 2014, havia cerca de 1,78 milhões de fumadores em Portugal com 15 ou mais anos, sendo 1,5 milhões fumadores diários, de acordo com as estatísticas do Inquérito Nacional de Saúde. Havia também muitos mais homens a fumar do que mulheres: eles eram 1,16, enquanto elas eram 600 mil. E quanto aos ex-fumadores, em 2014 eles já eram mais do que os fumadores, perfazendo então 1,92 milhões – o que equivalia a 31,8% dos homens com 15 ou mais anos residentes no país (cerca de 1,32 milhões) e a 12,9% das mulheres (608 mil).
TERESA SERAFIM, in Publico.pt 

Cigarros eletrónicos deviam ser oferecidos

Os médicos britânicos dizem que os cigarros eletrónicos deviam ser oferecidos aos fumadores como forma de os ajudar a parar de fumar.

O equivalente britânico à Ordem dos Médicos em Portugal (Royal College of Physicians) afirma que há já muitas provas de que os cigarros eletrónicos são "mais seguros" que fumar e as ajudas para deixar de fumar. Acrescenta ainda que são infundados os receios de que a sua utilização seja uma porta para os cigarros tradicionais.

No que respeita ao efeitos a longo prazo na saúde, os cigarros eletrónicos são 95% mais seguros que os tradicionais. No entanto, tal não significa que não haja riscos, dado que ainda não se sabe quais os efeitos a longo prazo do vapor produzido pelos cigarros eletrónicos.

Entrou hoje em vigor a nova lei do tabaco

A nova lei do tabaco entra esta sexta-feira em vigor, mas as imagens chocantes só passam a constar dos maços de cigarros em Maio e a proibição total de fumar em espaços públicos fechados só vigorará em 2021.

A nova legislação, publicada em agosto em Diário da República, vem ainda regulamentar os cigarros eletrónicos e os produtos de tabaco com aromas distintivos. 
As novas regras determinam que as embalagens de produtos de tabaco para fumar (como cigarros, tabaco de enrolar e tabaco para cachimbo de água) devem apresentar "advertências de saúde combinadas", que incluem texto e fotografia a cores. 
Algumas das opções constantes da "biblioteca de imagens" consistem em pulmões e línguas com tumores malignos, pessoas amputadas, mortas dentro de sacos ou em camas de hospital, uma mulher a cuspir sangue ou um bebé a fumar através de uma chucha. 


Estas imagens são acompanhadas de frases de alerta, entre as quais "fumar provoca 9 em cada 10 cancros do pulmão", "fumar provoca cancro da boca e da garganta", "fumar provoca acidentes vasculares cerebrais e incapacidades", "fumar agrava o risco de cegueira" e "os filhos de fumadores têm maior propensão para fumar". 
Além disto, passa a ser obrigatório as embalagens conterem duas advertências: "Fumar mata -- deixe já" e "O fumo do tabaco contém mais de 70 substâncias causadoras de cancro". 

As advertências devem ainda incluir informações para deixar de fumar, como números de telefone ou páginas da internet destinados a informar sobre programas disponíveis para ajudar a deixar de fumar. 
Ao todo, as advertências combinadas (texto e imagens) passam a ocupar 65% das embalagens, no caso dos maços de cigarros, em ambas as faces. 

No entanto, a nova rotulagem só vai começar a ser usada nos maços a partir de 20 de maio de 2016, data até à qual ainda é permitida a produção ou importação em território nacional de produtos rotulados na redação da anterior lei. 
A partir dessa data, é estabelecido um período de um ano (até 20 de maio de 2017) para escoar as embalagens antigas. 

As mesmas regras aplicam-se, nos termos da nova lei, aos cigarros eletrónicos com nicotina, que passam a ter as mesmas advertências e as mesmas restrições que os outros cigarros e dispõem do mesmo período de moratória. 
Os espaços públicos fechados com espaços para fumadores têm até 31 de dezembro para gradualmente se tornarem espaços totalmente livres de fumo. 

A par disso, a legislação alarga a proibição de fumar a outros espaços públicos fechados, passando a incluir recintos de diversão, casinos, bingos, salas de jogo e outro tipo de recintos destinados a espetáculos de natureza não artística. 

No entanto, estes espaços que não disponham de serviço de bar e restauração podem continuar a ter áreas destinadas a fumadores "separadas fisicamente ou totalmente compartimentadas", uma espécie de cabines como as que existem nos aeroportos, desde que disponham de ventilação adequada. 

A lei contempla algumas exceções, como salas exclusivamente destinadas a pacientes fumadores em hospitais e serviços psiquiátricos, centros de tratamento e reabilitação, de desintoxicação, lares de idosos e residências assistidas, desde que cumpram as mesmas regras que os outros espaços com áreas de fumadores. 

As prisões podem dispor também de unidades de alojamento, em celas ou camaratas, para fumadores. 
Os produtos de tabaco com aromas distintivos passam a ser proibidos, estando previsto um período transitório até 20 de maio de 2020 para produtos cujo volume de vendas na União Europeia seja superior a 3%, como é o caso do mentol. 

Os maços deixam ainda de usar termos como "light", "suave", "natural" ou "slim". 

Lusa

Explosão de cigarro eletrónico deixa jovem em coma



Um homem ficou em coma induzido, depois de um cigarro electrónico ter explodido quando o estava a usar.

Segundo o Mirror, o incidente ocorreu no dia 29 de Julho, quando James Lauria, de 23 anos, decidiu fazer uma pausa no trabalho para fumar, em Atlanta (EUA). 
O jovem ficou com queimaduras graves no peito e na mão, fraturou o pescoço e um dedo e ficou ainda com um buraco no céu-da-boca.

“A última coisa de que me lembro é de estar numa ambulância, a caminho do hospital. Tenho muita sorte em estar vivo”, afirmou o norte-americano, que decidiu partilhar a sua história para alertar outras pessoas.

Várias semanas depois do acidente, Lauria já saiu do coma, mas continua sem conseguir ingerir comida sólida e com dificuldades na linguagem.

O incidente já está a ser investigado pelas autoridades norte-americanas.

O tabagismo no dia europeu da saúde oral


O cancro oral é um dos que tem maior taxa de mortalidade. O dia europeu da saúde oral, que se assinala este sábado, dia 12, alerta para a doença.

António Varela tem 74 anos e chegou a fumar 80 cigarros por dia. Não contraiu cancro oral mas foi perdendo todos os dentes devido ao efeito do tabaco. António perdeu a capacidade de mastigar e só agora, com os implantes concretizou um desejo antigo: comer um bife da vazia.

O tabaco e o álcool são os principais fatores de risco do cancro oral. O dentista Énio Pólvora explica que o cancro oral é inicialmente silencioso e por isso difícil de detetar pelos pacientes. O médico deixa no entanto uma pista: as pessoas devem estar atentas à mudança de coloração das gengivas e a lesões que não cicatrizam depressa.

O cancro oral é um dos carcinomas com maior taxa de mortalidade em Portugal. Estima-se que, por ano, morram cerca de 500 pessoas.

Fonte: TSF

Fumar aumenta o risco de câncer de pâncreas



Além da idade (acima dos 70 anos), o tabaco aumenta o risco de câncer de pâncreas. Fumantes têm quatro vezes mais chances de desenvolver esse tipo de tumor em relação a quem não fuma. A história familiar de câncer de pâncreas também deve ser levada em consideração, alerta o cirurgião digestivo Filipe Augusto.

Existe também relação da doença com o consumo de bebidas alcoólicas, dieta rica em sal e alimentos condimentados. A doença também está relacionada ao consumo excessivo de gordura e de carnes e exposição a compostos químicos, como solventes e derivados do petróleo.

Obesos, diabéticos tipo 2, pessoas com pancreatite crônica, também têm mais chances de desenvolver a neoplasia. Na maioria das vezes o diagnóstico é tardio, sendo feito pela história clínica associada à exames laboratoriais e de imagem, como a tomografia do abdômen.

Foi criada a rede de referenciação para consultas antitabágicas

Hospitais e centros de saúde têm dois anos para implementar resposta. Linha Saúde 24 também cria programa para apoiar fumadores

 consultas tabagismo
 Consultas antitabágicas

Procurar ajuda e acompanhamento médico para deixar de fumar passará a ser mais fácil. É o que se pretende com a criação da rede de referenciação para consultas antitabágicas, publicada nesta semana em Diário da República, que dá dois anos para que os serviços criem mais consultas e perto das pessoas, tenham mais médicos disponíveis para o atendimento de fumadores e estabeleçam a rede de ligação entre hospitais e centros de saúde. Estima-se que por ano sejam atendidos cerca de 7000 utentes nas consultas já existentes, que nos últimos anos, à excepção de 2013, têm vindo a descer.

A implementação da rede está dividida por duas fases - finais de 2016 e 2017 - e cabe às administrações regionais de saúde agilizar o processo. Até lá os profissionais de saúde têm de receber formação para fazer intervenções breves e apoio intensivo, criar projetos que promovam o fim do consumo de tabaco, identificar a população fumadora da zona de forma a organizar a resposta dos serviços, manter ou promover a criação de pelo menos uma consulta em cada agrupamento de centros de saúde e que deve estar disponível na unidade mais acessível ou que atende mais utentes. A rede prevê a criação de consultas em horário pós-laboral, a eventual criação de equipas móveis para chegar aos locais mais isolados. Quanto ao reforço das equipas, o convite deve ser prioritário aos médicos que estão em exclusividade com 42 horas semanais e 1550 utentes.

Cancro e doenças pulmonares associados ao tabaco estão a aumentar

O cancro e a doença pulmonar obstrutiva crónica associados ao consumo de tabaco estão a aumentar em Portugal, disse à agência Lusa Ana Maria Figueiredo, coordenadora da comissão de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

"Há apenas uma diminuição da incidência das doenças cardiovasculares associadas ao tabagismo devido às novas tecnologias, mas a incidência de cancro está a aumentar, tendo-se registado nos últimos dois anos um aumento de 23 para 25% no número de fumadores", sublinhou a médica.

Ana Maria Figueiredo, que falava a propósito do Congresso de Pneumologia do Centro, que se realiza na quinta e na sexta-feira, em Viseu, salientou que se regista um aumento de fumadores em idades mais jovens e que o número de mulheres fumadoras se aproxima dos homens.

Ao longo de dois dias, cerca de 250 participantes vão analisar e debater as "perigosas alternativas" ao tabaco e rastreio no cancro do pulmão.

Segundo a especialista, verifica-se um aumento do cancro do pulmão e de outros tumores associados ao consumo de tabaco.

A coordenadora da comissão de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia defende uma legislação mais restritiva sobre o tabaco, sem exceções, referindo que "nos países com legislação mais restritiva existem menos jovens a iniciarem-se no tabagismo".

"Haverá outros fatores para o aumento do número de fumadores, mas precisamos de uma legislação forte que seja cumprida, que tenha vigilância no terreno", frisou Ana Maria Figueiredo, que considera "importante os mais jovens viverem num ambiente em que fumar não é regra".

O Congresso de Pneumologia do Centro visa, segundo a médica, discutir as novas alternativas ao tabaco, como por exemplo os cigarros eletrónicos, tabaco de mascar ou cachimbos de água, que são igualmente prejudiciais à saúde.

"A forma saudável de fumar é não fumar", enfatizou Ana Maria Figueiredo, também pneumologista no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, que espera uma mudança de paradigma na sociedade portuguesa para que as pessoas sejam informadas dos malefícios de todas as formas alternativas aos fumadores.

A organização do congresso envolve a cadeira de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, o Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, do Centro de Diagnóstico Pneumológico de Viseu, o Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário de Coimbra e a Associação de Estudos Respiratórios.

Durante a sua realização, serão discutidos temas como a "Tuberculose", "A Terapêutica antibiótica inalatória", os "Limites da patologia intersticial e do tecido conjuntivo", "Tabagismo: novas e perigosas alternativas", "Cancro do Pulmão e Asma brônquica" e "Rastreio no Cancro do Pulmão".

Notícia: Lusa/SOL

Imagens chocantes no tabaco é "violência psicológica" e "bullying' social perverso"

Partidos da oposição questionam eficácia da introdução de imagens chocantes nos maços de tabaco, como define a proposta de lei do Governo.
Segundo a proposta de lei, os maços de tabaco passam a ter uma fotografia a cores em ambos os lados, de uma lista de imagens onde figuram, por exemplo, um bebé com uma chupeta e cigarro na boca, um bebé numa incubadora, uma criança junto a uma lápide num cemitério ou um casal junto a um caixão de criança.
O deputado do PS José Junqueiro considerou que o uso de imagens de "desproporcionada violência psicológica pode constituir um 'bullying' social perverso".
Também o PCP manifestou dúvidas quanto à eficácia da adoção desta medida, considerando até que pode ser facilmente contornada pelos fumadores com a "aquisição de bolsas ou recipientes para o tabaco".

Na mesma linha, a deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, duvidou da utilidade das imagens chocantes, prevendo que possam até ter o efeito contrário do que é pretendido.
"Será que este radicalismo chocante é dissuasor?", questionou.
Sobre as imagens a aplicar nos maços, o secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, Leal da Costa, lembrou que as fotografias resultam da própria diretiva europeia que a proposta de lei pretende transpor.
"E ainda bem que [as imagens] são chocantes, porque a realidade é mesmo essa, é bem chocante", afirmou, aludindo aos perigos do tabaco para a saúde.
Mesmo antes desta intervenção do secretário de Estado, já a deputada do CDS Isabel Galriça Neto sublinhara que as fotografias propostas são "apenas uma pálida imagem da realidade".
"Se algumas imagens nos podem chocar, não nos pode chocar menos a realidade", disse.Sobre outros pontos da proposta de lei, que vai ser ainda analisada na comissão parlamentar de saúde, o PS questionou também qual a base científica para proibir o uso do cigarro eletrónico com nicotina nos espaços públicos fechados, à semelhança do que ocorrerá para o tabaco.
A oposição apelou ainda ao governo para incrementar de forma efetiva o acesso às consultas de cessação tabágica, nomeadamente isentando estas consultas do pagamento de taxas moderadoras ou comparticipando os medicamentos para ajudar a deixar de fumar.

Em relação à comparticipação dos remédios, o secretário de Estado referiu que o governo está a estudar um mecanismo de comparticipação que tenha em conta os resultados obtidos, uma situação que já tinha sido anunciada em ocasiões anteriores, mas que ainda não passa de uma hipótese em análise.
PCP e Bloco de Esquerda lamentaram ainda o que consideram ser o desinvestimento do governo nas consultas para fumadores que querem deixar o vício, indicando que entre 2009 e 2013 o número de locais com consultas de cessação tabágica reduziu quase para metade.
O Bloco de Esquerda alertou ainda para a necessidade de proteger os fumadores sem que isso seja feito discriminando quem fuma.
A proposta de lei, que transpõe duas diretivas da União Europeia, determina a proibição de fumar nas áreas com serviço em todos os estabelecimentos de restauração e de bebidas, incluindo nos recintos de diversão, nos casinos, bingos, salas de jogos e outro tipo de recintos destinados a espetáculos de natureza não artística.

A proposta tem previsto um período de moratória de 5 anos, até 2020, para se adaptarem os espaços públicos que investiram em obras para serem espaços com fumo.
Sobre os cigarros eletrónicos, os que contêm nicotina passarão também a estar proibidos nos espaços públicos fechados.
Quanto aos maços de tabaco, a proposta prevê que continuem a ter advertências de saúde, passando a ser obrigatória a menção "Fumar mata -- deixe já" e "O fumo do tabaco contém mais de 70 substâncias causadoras de cancro".
Pretende-se ainda proibir a venda de tabaco com aromatizantes "tais como filtros, papéis, embalagens, cápsulas ou quaisquer características técnicas que permitam modificar o odor ou o sabor dos produtos do tabaco em causa ou a intensidade do seu fumo".

Os maços deixam ainda de poder usar termos como "light", "suave", "natural" ou "slim" para "não induzir os consumidores em erro, em particular os jovens, ao sugerir que esses produtos são menos nocivos".

Os fumadores vão ter que comprar maços com fotografias chocantes

Imagens de choque vão juntar-se às advertências para os malefícios de tabaco em texto, segundo a proposta de lei que esta sexta-feira é debatida na Comissão Parlamentar de Saúde.

Depois das frases de alerta para os malefícios do tabaco, vão chegar a Portugal as imagens de choque nos maços de cigarros. Se a proposta de lei do Governo que vai alterar a legislação antitabagista passar tal como está, os fumadores portugueses vão ter que se habituar a comprar maços com fotografias chocantes, mostrando um pai e uma mãe chorosos junto ao caixão branco de um filho, cadáveres, doentes de cancro em fase terminal e pulmões destruídos, só para dar alguns exemplos.
As 42 fotografias a cores que os fabricantes de tabaco passarão a dispor para impressão nos maços e embalagens surgem num anexo da proposta de revisão da lei do tabaco que na próxima sexta-feira tem discussão marcada na Comissão Parlamentar de Saúde.





Em 2007, quando a legislação antitabagista foi aprovada em Portugal, as autoridades de saúde queriam já avançar com esta estratégia, aliando as advertências em texto a imagens de choque, mas a proposta não foi aprovada. Desde há mais de uma década, aliás, que a Comissão Europeia está empenhada em demonstrar que uma imagem pode valer mais do que mil palavras, recomendando as imagens de choque para o combate ao tabagismo, à semelhança do que já acontece há anos em países como o Brasil. Vários países europeus adoptaram esta estratégia nos últimos anos.  
Agora, a directiva europeia que prevê a impressão das fotografias assustadoras, com imagens incisivas dos danos que o tabaco pode provocar, vai ter que ser transposta para Portugal, mas esta é apenas uma parte da extensa proposta de lei que alarga a proibição de fumar a quase todos os locais públicos fechados, diminuindo as excepções actualmente em vigor e regulamentando os cigarros electrónicos, que até agora beneficiavam de um vazio legal.
A biblioteca de fotografias a cores sugerida é extensa, tem três séries com 14 imagens cada para que haja uma rotação anual. Está igualmente prevista a inclusão de advertências em texto com avisos do tipo “Fumar pode matar o seu filho antes de ele nascer” ou “Fumar provoca nove em cada dez cancros de pulmão”, entre outras.
Pretende-se que os novos maços e embalagens de tabaco exibam advertências combinadas, juntando as novas imagens às já habituais frases de  alerta. A proposta destaca uma advertência geral - “Fumar mata – deixe já” -  e uma mensagem informativa - “O fumo do tabaco contém mais de 70 substâncias causadoras do cancro”.
As advertências deverão cobrir 65% dos maços em ambas as faces, segundo a proposta, que prevê ainda a eventualidade de conterem referências a serviços de apoio a quem quer deixar de fumar.  Estipula-se, a propósito, que sejam criadas consultas de apoio intensivo à cessação tabágica em todos os agrupamentos de centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde. Quando a lei do tabaco entrou em vigor, há seis anos, multiplicaram-se as consultas de cessação tabágica, mas depois disso, houve um recuo: entre 2009 e 2013, 107 destes locais deixaram de funcionar.
A proposta de revisão da lei vem também regulamentar os cigarros electrónicos. Os que possuem nicotina  deverão exibir a advertência de que contêm esta substância, com o aviso de que esta cria “forte dependência”. Os cigarros electrónicos com nicotina ficam ainda sujeitos às mesmas proibições que os outros cigarros e passam a ter que incluir um folheto informativo com regras de segurança e identificação do fabricante ou importador e a lista de ingredientes.
Proibição de fumar com muitas excepções
Quanto ao alargamento da proibição de fumar a quase todos locais fechados, é dado um período transitório, até 31 Dezembro de 2020, aos estabelecimentos que investiram em sistemas de extracção de ar e de ventilação para poderem ter espaços para fumadores ou ser destinados exclusivamente a fumadores, ao abrigo da lei actualmente em vigor. 

Ainda assim, poderão sempre ter espaços para fumadores, desde que estas áreas não possuam qualquer serviço (designadamente de bar e restauração) e sejam “separados fisicamente ou totalmente compartimentados”, uma espécie de aquários como os que já existem nos aeroportos. Mas isto ainda será regulamentado por portaria.
Continuará, de qualquer forma, a haver excepções à proibição de fumar em determinados locais de trabalho “que servem simultaneamente de residência ou de alojamento prolongado, designadamente, as prisões, as instituições de saúde mental ou os lares para pessoas idosas”. A proposta especifica que serão permitidas salas exclusivamente para fumadores em hospitais e serviços psiquiátricos, centros de tratamento e reabilitação, unidades de internamento de toxicodependentes e alcoólicos, lares de idosos e residências assistidas.
Nas prisões poderá haver “ unidades de alojamento em celas ou camaratas”.  Nas salas de jogo e nos hotéis e equiparados será possível fumar num espaço que ocupe até um máximo de 40% da superfície total. São excepções que já foram criticadas por especialistas em saúde pública.
Seja como for, sublinha-se na proposta que os trabalhadores destes locais “devem ser protegidos da exposição ao fumo ambiental do tabaco, pelo que se instituem medidas mais rigorosas de ventilação, no sentido de impedir que o fumo se espalhe às áreas para não fumadores”.
Serão ainda proibidos os aromas distintivos e os aromatizantes, com um período transitório até 20 de Maio de 2020. “Os produtos do tabaco ou a sua embalagem não podem induzir os consumidores em erro, em particular os jovens, ao sugerir que esses produtos são menos nocivos”, justifica-se. Deixará de ser possível usar termos ou expressões como “baixo teor de alcatrão”, “light”, “ultra-light”, “suave”, “natural”, “sem aromas”, “slim”.
O que vai também desaparecer dos maços de tabaco são as  indicações relativas aos níveis de emissão de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono. Justificação? Esta medida “revelou-se enganosa”, podendo levar “os consumidores a acreditar que certos tipos de cigarros são menos nocivos do que outros”.  

Com a proposta de revisão de lei do tabaco, Portugal transpõe duas directivas comunitárias e as coimas para os infractores vão desde um mínimo de 50 euros (pessoas singulares) até a um máximo de 250 mil euros (fabricantes e instituições).

in: Jornal Público

Associação Nacional AVC lança um desafio: não fumar por 16 horas

Fumar faz mal à saúde, mas também à carteira. Por um lado surgem as muitas doenças que impedem de trabalhar e obrigam a toma de medicamentos, diminuindo o bem-estar e a produtividade. Pelo lado mais prático da coisa, são os euros a sair da carteira por cada maço de cigarros. A pensar na primeira questão a Associação Nacional AVC lança um desafio: não fumar por 16 horas.
Em Portugal morrem todos os anos 1000 pessoas vítimas de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e o tabaco é um dos principais fatores de risco para essa situação, contribuindo para 12% a 14% de todas as morte, alerta a Associação Nacional AVC.
Ora, como no dia 31 de maio é Dia Mundial sem Tabaco, a Associação lança um desafio a todos os fumadores, "com o objetivo de combater a doença". O desafio é: estar 1000 minutos sem fumar.
Parece simples, mas para um fumador vai exigir muita força de vontade, e quem sabe se não será o início para acabar com os cigarros de vez.
"Os últimos estudos na área indicam que os fumadores têm uma probabilidade de sofrer AVC 3 vezes maior do que os não fumadores. O consumo de 20 cigarros por dia, por exemplo, aumenta em 6 vezes o risco de AVC. Sensibilizar a população para esta realidade deverá ser uma prioridade das entidades governamentais e de todas as Instituições que trabalham em prol dos doentes e familiares. Por isso, decidimos lançar este repto, desafiando os fumadores a não consumirem tabaco durante 1000 minutos, em homenagem a todos os portugueses que morrem anualmente vítimas de AVC no nosso país", afirma Clara Fernandes, presidente da Associação Nacional AVC.
A Associação refere ainda outros problemas de saúde associados ao tabagismo, como o aumento do mau colesterol, reduz o bom colesterol e potencia o desenvolvimento da hipertensão arterial. Um fumador com hipertensão arterial tem uma vulnerabilidade 15 vezes maior de sofrer um AVC Hemorrágico.
Se ainda não está convencido faça as contas. Se fumar, em média, um maço de cigarros por dia, gastará 30 euros por semana, 120 euros por mês, 1.440 euros por ano e 14.400 euros em 10 anos. Feitas bem as contas, até dava para umas férias interessantes.
Porque deve parar de fumar?
Dentro de 8 horas os seus níveis de oxigénio voltam ao normal e os níveis de monóxido de carbono reduzem para metade. Suba uma escadas depois desse tempo e verá a diferença.
48 horas depois as suas capacidade de gosto e de olfato melhoram. Entre numa perfumaria, ou coma algo que goste muito.
Dentro de 72 Horas torna-se mais fácil respirar e os seus níveis de energia aumentam. Tente correr nem que seja para acompanhar uma nuvem.
Depois de 1 mês a sua pele melhora significativamente.
Entre 3-9 meses, qualquer tipo de tosse ou pieira diminui e o funcionamento dos seus pulmões aumenta pelo menos 10%.
Após 1 ano o seu risco de ataque cardíaco reduz para metade.
Após 5 anos o seu risco de AVC é praticamente igual ao de um não fumador.
Após 10 anos o seu risco de desenvolver cancro do pulmão desce para metade.

Após 15 anos o risco de sofrer um ataque cardíaco é o mesmo de alguém que nunca fumou.

Nicotina líquida para cigarros eletrónicos é um perigo


Caso seja ingerida ou absorvida através da pele, mesmo que em pequenas quantidades, pode causar vómitos, convulsões e até ser fatal. Nos casos das crianças, basta uma colher de chá para matar


As autoridades norte-americanas estão preocupadas com o perigo que representa a nicotina líquida vendida para os cada vez mais populares cigarros electrónicos.

Extraída do tabaco e depois misturada com um cocktail de aromas, corantes e produtos químicos diversos, a nicotina líquida funciona como um poderoso estimulante que, com facilidade, pode ser comprada em frasco, ou até mesmo em barril, conforme escreve o New York Times, num artigo sobre o tema.

Caso seja ingerida ou absorvida através da pele, mesmo que em pequenas quantidades, pode causar vómitos, convulsões e até ser fatal. 

A nicotina líquida não é ainda regulada pelas autoridades federais americanas, sendo misturada de forma ilegal nas lojas, e vendidos presencialmente ou online, para a recarga regular dos cigarros electrónicos.

Os especialistas ouvidos pelo New York Times alertam que este e-líquido representa um risco significativo para a saúde pública, especialmente para as crianças, que podem ser atraídas pelas cores brilhantes e os aromas perfumados que detém. 

Os perigos eminentes a este novo tipo de nicotina já deram, aliás as primeiras provas: Os casos menos graves têm levado a um aumento das chamadas para os centros de controlo de envenenamento nos EUA. O número de casos ligados ao e-líquido subiu para 1.351 em 2013, um aumento de 300% desde de 2012.

Vídeo usa um pulmão de verdade e mostra os efeitos do tabaco


Vídeo mostra como fica o estado de um pulmão depois de fumar 60 cigarros.

Todo o fumador sabe que o seu hábito não traz nenhum benefício à sua saúde.
Entretanto, muitos se sentem melhor ao se convencer que só fumam às vezes, para tirar o stress ou por outro motivo qualquer, os chamados fumadores sociais.

Vendo isso, o professor Ryan Au, do Yan Chai Hospital Tung Chi Ying Memorial School, em Hong Kong, fez um vídeo depois de ficar preocupado com o número de alunos do ensino superior, mesmo tão novos, e já com um hábito difícil de controlar. Ele publicou a sua filmagem no YouTube, como uma forma de mostrar os prejuízos que o cigarro pode trazer.

Ele mostra uma bomba de ar insuflando dois pares de pulmões de porcos, como se estivessem respirando. Ambos são totalmente saudáveis no início da experiência. No entanto, a um par é bombeado ar limpo, enquanto o outro recebe um ar poluído, que equivale a utilização de 60 cigarros.

No final da experiência, Au compara os dois conjuntos de pulmões.

O vídeo também mostra que, depois de apenas 60 cigarros, a traqueia já ficou totalmente escura, como se estivesse queimada.

É evidente a olho nu a diferença entre os dois órgãos: enquanto os pulmões que tiveram a ingestão de ar limpo ainda possuíam uma cor rosa saudável, enquanto os “fumantes” tiveram a cor alterada para um castanho-amarelado.

No filme, o Sr. Au também disseca as traqueias e revela que os pulmões não fumadores têm uma passagem livre com uma cor rosa pálido, enquanto os pulmões que fumaram possuíam uma traqueia um pouco congestionada e de coloração castanho escura.


Existem danos provocados pelo tabaco que são reversíveis

Os danos na camada exterior do cérebro causados pelo tabagismo podem ser reversíveis depois de a pessoa parar de fumar, segundo um estudo hoje publicado. No entanto, este processo pode levar anos.
Os exames de ressonância magnética de 50 escoceses septuagenários confirmaram uma ligação entre o fumo e uma aceleração no desgaste relacionado com a idade do córtex -- a camada externa da massa cinzenta, de acordo com os investigadores que publicaram o estudo.

Entretanto, os investigadores também referiram, pela primeira vez, o potencial de recuperação após a pessoa deixar de fumar.
O córtex de ex-fumadores no grupo "parece ter recuperado parcialmente para cada ano sem fumar", de acordo com a equipa multinacional autora do estudo, publicado no jornal Molecular Psychiatry, da revista Nature. 
Os investigadores advertiram que "embora a recuperação parcial pareça possível, pode ser um processo longo".
Outros estudos têm relacionado o fumo de cigarros com o declínio cognitivo e demência e alguns referem uma degeneração cerebral.
"As evidências sugerem que os fumadores têm, em média, um funcionamento cognitivo global um pouco mais pobre numa idade avançada, assim como têm menores médias em vários domínios cognitivos, como a flexibilidade cognitiva e memória".
No entanto, nunca havia sido demonstrado se os efeitos poderiam reversíveis.
Neste novo estudo, o grupo de investigadores utilizaram pessoas que participaram numa pesquisa que utilizou crianças escocesas em idade escolar, em 1947, quando as suas funções cognitivas foram testadas.
Os participantes sobreviventes foram submetidos a ressonância magnética (MRI), feita em 2007, e os resultados de 504 deles foram analisados.
Havia 36 fumadores, 223 ex-fumadores e 245 que nunca fumaram no grupo, tendo os participantes em média 73 anos, segundo o estudo.
Não houve diferenças significantes entre o QI (coeficiente de inteligência) na infância e na velhice, tendo sido o grupo dividido, quase igualmente, apenas entre homens e mulheres.
As análises das ressonâncias mostraram que os fumadores recorrentes "tinham um córtex mais fino do que os que nunca tinham fumado", referiu ainda o estudo.
O estudo referiu que aqueles que deixaram de fumar podem apresentar uma desaceleração, para um ritmo mais lento, do afinamento do córtex, passando a um afinamento normal característico em idades mais avançadas.
Lusa/SOL

Estudo confirma: Cigarro eletrónico faz mal à saúde

Estudo em ratos sugere que vapores do cigarro eletrónico fazem mal à saúde

Dados sugerem que os vapores dos cigarros eletrónicos diminuem as defesas contra as infeções respiratórias e contêm compostos químicos que podem danificar as células

Os vapores do cigarro eletrónico, que não está abrangido pela lei que proíbe o fumo em espaços públicos, diminuem as defesas do sistema respiratório contra as infeções por vírus ou bactérias e, além disso, produzem compostos químicos nocivos que podem causar danos celulares, tal como acontece com os cigarros tradicionais.

O veredicto é de um estudo publicado ontem na revista PLOS One por um grupo de cientistas que foi coordenado por Shyam Biswal da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos.

Estes resultados vêm juntar-se a outros anteriores que já apontavam no sentido de o cigarro eletrónico não ser um produto isento de riscos para a saúde e são, por isso, mais uma peça para o debate sobre a sua utilização em espaços públicos.

O cancro do pulmão está a tornar-se no maior assassino de mulheres

O cancro do pulmão está a ultrapassar o cancro da mama como a doença oncológica que mais mulheres mata em países desenvolvidos.

A conclusão é da Sociedade Americana do Cancro, que conduziu um estudo em colaboração com a Agência Internacional de Pesquisa do Cancro, e foi revelada esta quarta-feira, o dia mundial da luta contra a doença oncológica. A pesquisa reúne dados de 184 países.

Historicamente, o cancro do pulmão atingia sobretudo os homens, mas desde o final dos anos 80 que a doença é cada vez mais diagnosticada entre as mulheres. A explicação é simples: as mulheres aderiram mais tarde ao vício do tabaco, e ainda hoje continua a subir em vários países o número de jovens fumadoras, enquanto o número de rapazes que começa a fumar estabilizou ou desceu.

Perante o drama do cancro, que só em 2012 matou 8,2 milhões de pessoas em todo o mundo, os autores do estudo apelam a uma “resposta coordenada e intensificada” dos governos, dos cidadãos e do sector privado.

Fonte: Jornal Sol

Exercício físico elimina ansiedade ao deixar de fumar

A privação da nicotina é a principal causa do surgimento de episódios de ansiedade nos fumadores que pretendem deixar esta dependência. No entanto, existem alguns truques que podem ajudar a diminuir essa ansiedade como evitar bebidas com cafeína e álcool, beber água e praticar exercício físico diariamente, explica Luís Carreiro, coordenador da Unidade de Pneumologia do Hospital Lusíadas Lisboa.
Exercício físico elimina ansiedade ao deixar de fumar

E acrescenta: «O exercício físico tem um potencial ansiolítico importante ao diminuir os efeitos da privação da nicotina, além de diminuir os fatores de riscos associados ao tabaco e melhorar a saúde de forma geral.»

«Após abandonar o hábito de fumar deve manter-se a boca e as mãos ocupadas, uma vez que o tabaco formata novas atitudes nas pessoas, como o simples gesto de levar a mão à boca. Os melhores aliados costumam ser as pastilhas elásticas, rebuçados (ambos sem açúcar) e esferográficas ou chaves. Os fumadores devem ainda manter-se afastados de objetos relacionados com tabaco como isqueiros, fósforos ou cinzeiros», explica. Luís Carreiro diz ainda que «ter pensamentos positivos e relembrar todos os dias os benefícios e objetivos atingidos depois de deixar de fumar» são a «chave do sucesso». Para os casos mais complicados, em que existe grande dificuldade em controlar a ansiedade, o médico aconselha um acompanhamento psicoterapêutico em simultâneo. 

Segundo a OMS, fumar é a principal causa de morte passível de prevenção. Segundo a Direção Geral de Saúde, sete em cada 10 portugueses querem deixar de fumar e a recompensa está nos benefícios para a saúde. Quem deixa de fumar vive, em média, mais 10 anos do que um fumador que mantém o vício.

Fonte: Diario Digital