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Desde 2011 tabaco já aumentou 18%

Agravamento do imposto vai ditar uma atualização de dez cêntimos no maço de tabaco. Venda de cigarros aumentou quase 14% em 2016.

O tabaco vai aumentar já na quarta-feira, dia 1. Tomando como exemplo a marca SG Ventil, o anunciado agravamento de dez cêntimos significa que aquele maço passará a custar 4,70 euros, uma subida de 18% (mais 80 cêntimos) face ao preço de 2011 (3,90 euros).



Apesar dos consecutivos aumentos do Imposto sobre o Tabaco (IT) e das campanhas que tentam sublinhar os seus malefícios, os consumidores não parecem dispostos a largar o vício. O volume de vendas dos cigarros aumentou 13,76% no ano passado face a 2015. O tabaco de enrolar caiu 15,18% e os charutos são cada vez menos procurados (-48,78%), tal como as cigarrilhas (-2,2%). Apenas o cachimbo convencional, a par dos cigarros, cresceu (+7,46%). O caso excecional verificou-se no tabaco para cachimbo de água, também conhecido como shisha, uma vez que as vendas mais do que duplicaram (+136%) no ano passado.



O Estado teve a sua compensação, uma vez que as receitas fiscais do tabaco aumentaram em cerca de 300 milhões de euros, totalizando 1515 milhões, o valor mais alto desde 2011.



O ritmo de agravamento da carga fiscal tem sido anual ou mesmo semestral. Em julho do ano passado, o tabaco sofreu um aumento. A portaria do Ministério das Finanças saiu em abril, mas o Governo permitiu, conforme está previsto na Lei, que as embalagens de cigarros com a estampilha antiga pudessem ser vendidas ao preço antigo até 30 de junho. No caso do SG Ventil, a marca mais popular produzida pela Tabaqueira, o aumento foi de dez cêntimos, idêntico ao que irá ocorrer agora. A escolha do tabaco de enrolar tem vindo a diminuir junto dos fumadores, embora este fosse, até há poucos anos, um segmento em crescimento. Razão: os governos aproveitaram a maior procura para carregar no imposto. O resultado foi a quebra continuada das vendas e uma menor receita global do imposto para o Estado em 2015, ano em que a diminuição se aproximou dos 200 milhões de euros. No final de 2014, a Associação Europeia do Tabaco estimava já que o aumento da carga fiscal sobre o tabaco de enrolar superasse o custo do maço de tabaco em 14%, prejudicando a receita fiscal do Estado. “O mercado global deverá ter estabilizado (mais cigarros, menos tabaco de enrolar e menos cigarrilhas). Este desenvolvimento parece corresponder ao objetivo do governo de preservar na medida do possível a base tributável em sede do IT, quer por via de uma moderação dos aumentos da tributação sobre cigarros (para evitar desvios para o comércio ilícito), quer por via de uma progressiva aproximação dos níveis de tributação entre os diversos segmentos de produto”, afirma fonte ligada à indústria do tabaco em Portugal. “O aumento do preço do tabaco de enrolar, por via dos impostos, levou a que os consumidores regressassem em força aos cigarros, que acabaram por ficar mais baratos. Por outro lado, quando o Governo decreta um aumento, há sempre uma corrida, durante três meses, para comprar ao preço antigo”, explica Helena Manuela, presidente da Associação Portuguesa de Armazenistas de Tabaco. Fenómeno do cachimbo de água Quando os cigarros ou o tabaco de enrolar ficam mais caros, a procura de outros tipos de tabaco aumenta. Esse é o caso do tabaco para cachimbo de água, cujas vendas mais do que duplicaram (+136%) em 2016. 




As associações do setor mostram-se surpreendidas com este crescimento. “Nós não vendemos tabaco para cachimbo de água. Esse fenómeno passa-nos ao lado. E não conheço qualquer local, no Porto ou em Lisboa, que tenha esse tabaco”, afirma João Belo, presidente da Associação Nacional dos Grossistas de Tabaco. “Vendemos cada vez mais, uma vez que o tabaco para shisha é melhor para saúde do que o cigarro. O cancro vitima muitas famílias e as pessoas procuram algo mais saudável. Em Lisboa, onde a comunidade muçulmana é maior, as vendas deverão ser superiores. Mas há muitos portugueses a aderir, sobretudo depois de visitarem países como Marrocos ou Tunísia”, afirma Filipe Guedes, dono de uma loja no Porto, que vende tanto o tabaco como os cachimbos de água. “A ideia que fumar cachimbo de água é menos prejudicial para a saúde é um engano, quanto a mim, e até mesmo o fumo passivo é danoso para as pessoas circundantes aos fumadores. As sessões de sisha são mais longas e as quantidades de fumo consumidas e libertadas para o ambiente são muito consideráveis”, afirma José Reis Ferreira, cardiologista. O cigarro eletrónico é outra opção para os fumadores, embora ainda não figure nas estatísticas da Autoridade Tributária. No entanto, o Ministério das Finanças revelou ao Dinheiro Vivo que, só no ano passado, foram vendidos 495 litros de nicotina em líquido, muito acima 57,96 litros de 2015. No entanto, o Ministério diz que os anos não são comparáveis, uma vez que os comerciantes puderam, a partir de janeiro de 2015, escoar todo o stock existente à data sem a obrigação de pagamento de imposto.


Fonte: Dinheiro Vivo
Autoria: Pedro Araujo

Tabaco causa mutações genéticas nos pulmões

Um maço de tabaco por dia causa 150 mutações genéticas por ano nos pulmões

Pela primeira vez, estabeleceu-se uma ligação directa entre o número de cigarros fumados e o número de mutações que isso provoca no ADN e que, mais tarde, poderão terminar em cancro.

Que o tabaco mata já não é novidade. Que o cancro é causado por mutações no ADN também já se sabia. O que agora se encontrou pela primeira vez foi uma relação directa entre o número de cigarros fumados e o número de mutações no ADN. Se fumar um maço de cigarros por dia, ao fim de um ano terá provocado nas células dos seus pulmões, em média, 150 mutações genéticas, o que aumenta o risco de cancro – conclui este trabalho publicado esta sexta-feira na revista Science.

Se há produto constituído por substâncias tóxicas e irritantes, é um cigarro. Ao todo, têm cerca de 7000 substâncias químicas, 70 das quais são cancerígenas. Nas estimativas da Organização Mundial da Saúde, todos os anos morrem pelo menos seis milhões de fumadores e até ao final deste século prevê-se que sejam mais de 1000 milhões.

Uma investigação científica coordenada pelo Laboratório Nacional de Los Alamos (Estados Unidos) e pelo Instituto Sanger (Reino Unido), em colaboração com investigadores do Japão, da Coreia do Sul, de Itália e da Bélgica, identificou algumas mutações genéticas provocadas pela exposição, tanto directa como indirecta, ao fumo do tabaco.

“Até agora, tínhamos um largo corpo epidemiológico sobre a relação do fumo com o cancro. Neste momento, também observámos e quantificámos as mudanças moleculares no ADN para quem fuma cigarros”, sublinha em comunicado um dos autores do estudo, Ludmil Alexandrov, investigador de Los Alamos.

Ao todo, a equipa sequenciou o genoma de 5243 cancros. Os cientistas conseguiram determinar que, entre as pessoas que tiveram aqueles cancros, havia 2490 fumadores e 1063 não fumadores e foram estes dois grupos que foram comparados. Quais são então as diferenças nas células dos fumadores e dos não fumadores? E a conclusão a que se chegou, usando um software para reconhecer padrões nas mutações genéticas, é que essas mutações são mais elevadas nos fumadores. Num vídeo, Ludmil Alexandrov explica a investigação.

O número de mutações nocivas causadas pelo tabaco é alarmante, sobretudo nas células dos pulmões, onde os cientistas contabilizaram as já mencionadas 150 alterações genéticas. “Este número é extremamente elevado e aumenta enormemente o risco de desenvolver cancro dos pulmões nos fumadores”, frisa Ludmil Alexandrov ao PÚBLICO.

Um maço de tabaco por dia também é responsável por mutações genéticas noutros órgãos ao final de um ano, concluiu ainda esta investigação: em média, 97 na laringe, 39 na faringe, 23 na boca, 18 na bexiga e seis no fígado.

Neste momento, o tabaco está ligado a 17 tipos de cancros. Ao longo do estudo, identificaram-se mais de 20 mutações específicas associadas a esses 17 cancros. Essas mutações são assinaturas deixadas no ADN pelo tabaco. Contudo, apenas cinco destas mutações são muito frequentes nos fumadores.

Uma dessas mutações genéticas, que os cientistas designaram como “assinatura 4”, resulta mesmo da exposição directa ao fumo do tabaco – ou seja, os danos no ADN são provocados por substâncias cancerígenas contidas no cigarro, como o benzopireno. “As mutações da assinatura 4 também detectadas em cancros da cavidade oral, faringe e esófago, embora em número muito mais pequeno do que nos cancros dos pulmões e da laringe, talvez devido a uma exposição mais reduzida ao fumo do tabaco”, lê-se no artigo científico.

Outra mutação salientada na investigação é a número 5. Previamente descoberta num outro estudo, também no Laboratório Nacional de Los Alamos, esta alteração vai geralmente ocorrendo em todas as células do corpo e com a regularidade conhecida de um relógio. Só que a mutação número 5 é mais rápida nos fumadores do que nos não fumadores, explica um comunicado do Laboratório Nacional de Los Alamos.
Saber para prevenir

“Os resultados são uma mistura de esperado e inesperado, e revelam um retrato dos efeitos directos e indirectos [do tabaco]. As mutações causadas por danos directos no ADN pelos carcinogénicos do tabaco foram observadas principalmente nos órgãos em contacto directo com o fumo inalado”, salienta outro dos autores do estudo, David Phillips, do King’s College de Londres.

E para quem é “apenas” um fumador social? Fumar um ou dois cigarros de vez em quando também origina mutações no ADN, responde-nos Ludmil Alexandrov. “Um simples cigarro pode causar algumas – embora muito poucas – mutações”, salienta o investigador. Mas o risco de as mutações provocadas pelo tabaco virem a resultar em cancro é menor. “Fumar 50 cigarros ao longo da vida resulta, em média, em uma mutação.”

Para além da relação entre o tabaco e o cancro, detectadas ao nível das mutações genéticas que o fumo provoca, este tipo de estudos pode ser aplicado para descortinar a genética envolvida noutros factores de risco oncológico, como a obesidade e a alimentação. “Poderá ser um contributo para a descoberta de outras causas de cancro”, diz ainda Ludmil Alexandrov.

Ter agora a noção do número de mutações genéticas causadas pelo tabaco pode também ser um argumento de peso usado na prevenção do tabagismo. Para Charlie McMillan, director do Laboratório Nacional de Los Alamos, este trabalho “impulsiona o uso de software de reconhecimento de padrões na monitorização genética e representa um avanço criativo na investigação do cancro.”

Mas nem sempre o tabaco foi considerado nocivo. Esta planta veio da América para a Europa, trazida na época dos Descobrimentos. Chegou a ser divulgada como uma planta medicinal extraordinária. Mascado ou inalado, só nos finais do século XIX o uso do tabaco em cigarros se expandiu na Europa.

E se hoje não há dúvidas dos seus malefícios, nem sempre a indústria tabaqueira assumiu essa realidade, como lembra o pequeno livro de divulgação Cancro Ponto e Vírgula, editado em 2015 pelo Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup). “Demoraram [indústria tabaqueira] cerca de 50 anos a admitir que o consumo de tabaco é prejudicial à saúde”, lê-se na publicação, onde se encontra a ilustração de um cigarro, ao qual se faz a “autópsia de um assassino”.

TERESA SERAFIM, in publico.pt

Tabagismo é a primeira causa de morte no país

Fumar foi a primeira causa de morte em Portugal em 2013, entre os factores de risco comportamental, segundo o relatório Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números – 2015, publicado em Fevereiro de 2016 pelo Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo. O tabaco matou 12.350 pessoas em 2013 (devido a várias doenças, desde cancro e doenças respiratórias crónicas e infecções respiratórias até a doenças cardiovasculares), o que representou 11% de todos os óbitos no país. E o grupo etário mais atingido pelo tabaco foi o dos 50 aos 59 anos (cerca de 24% da mortes atribuem-se ao tabaco).

O cancro causado pelo tabaco foi um factor de peso: ao todo, houve 5460 mortes (89% nos homens). O cancro da traqueia, dos brônquios e dos pulmões foi o que causou mais óbitos, contabilizando-se cerca de 3317. Também a exposição ao fumo ambiental foi responsável pela morte de 28 pessoas.

Em 2014, havia cerca de 1,78 milhões de fumadores em Portugal com 15 ou mais anos, sendo 1,5 milhões fumadores diários, de acordo com as estatísticas do Inquérito Nacional de Saúde. Havia também muitos mais homens a fumar do que mulheres: eles eram 1,16, enquanto elas eram 600 mil. E quanto aos ex-fumadores, em 2014 eles já eram mais do que os fumadores, perfazendo então 1,92 milhões – o que equivalia a 31,8% dos homens com 15 ou mais anos residentes no país (cerca de 1,32 milhões) e a 12,9% das mulheres (608 mil).
TERESA SERAFIM, in Publico.pt 

Estudo indica que raparigas já fumam quase tanto como os rapazes

Trabalho da Fundação Portuguesa do Pulmão e da Universidade de Coimbra avaliou mais de 3000 alunos. Muitos deles começaram a fumar na escola.

Em Portugal, mais de 30% dos homens são fumadores, um valor que representa mais do dobro do encontrado entre as mulheres. No entanto, esta diferença está a esbater-se cada vez mais e é provável que os valores se venham a cruzar. As conclusões de um estudo que será apresentado nesta terça-feira indicam que a percentagem de raparigas e de rapazes fumadores em 20 escolas de Coimbra é praticamente a mesma, assim como o número total de cigarros consumidos por dia.

O trabalho, que será apresentado em Coimbra para assinalar o Dia do Não Fumador, foi feito pela delegação desta cidade da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) e pelo Laboratório de Bioestatística e Informática Médica (LBIM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. O estudo contou com um inquérito anónimo a 3289 alunos de 20 escolas do concelho de Coimbra, com uma média de 15,4 anos.

O inquérito, a que o PÚBLICO teve acesso, indica que 79% dos alunos disseram ser não fumadores e 21% afirmaram fumar, em 10,2% dos casos regularmente. “Considerando como fumadores tanto os alunos que indicaram fumar regularmente quanto aqueles que afirmaram fumar pontualmente, observa-se que a percentagem de rapazes (10,9% do total dos inquiridos) e de raparigas (10,1% do total dos inquiridos) entre fumadores é semelhante”, salienta o estudo, que ainda assim ressalva que “relativamente aos não fumadores, verifica-se haver uma maior prevalência no género feminino (41,8%) comparativamente ao masculino (37,2%)”.
Raparigas já fumam quase tanto como os rapazes

Os rapazes apresentam uma “maior tendência para se tornarem fumadores”, mas comparando os dados com as actuais proporções entre adultos percebe-se que o sexo é cada vez menos um factor diferenciador. Em relação à idade, os autores dizem que o número de fumadores aumenta com a idade: “Na faixa etária dos 12 aos 13 anos apenas 5,1% dos alunos fumavam. Este valor cresce gradualmente nas restantes faixas etárias, atingindo o valor de 47,4% na faixa etária que inclui os alunos com idade igual ou superior a 18 anos”.

Quanto aos cigarros fumados por dia, a média é praticamente igual entre rapazes e raparigas, “correspondendo a praticamente meio maço de tabaco por dia”. Em média os rapazes fumam 8,75cigarros e as raparigas 8,12. Outro dado a destacar diz respeito ao sítio onde começaram a fumar. É entre os mais novos que existem mais alunos a reportarem ter começado este hábito na escola. Os estudantes entre os 12 e os 13 anos, são os que mais relatam ter começado a fumar na escola, “sendo a tendência maior nas raparigas”. O valor chega aos 80%.

Numa nota, um dos autores do trabalho, o presidente da FPP em Coimbra, João Rui Almeida, alerta para a “necessidade de se apostar em campanhas de sensibilização nas escolas sobre os malefícios do tabaco” e de “sensibilizar os pais para esta realidade, dado que a maioria dos alunos fumadores (51,9%) diz que os pais fumam em casa”. As conclusões destacam, por isso, a “grande prevalência de alunos fumadores passivos” e insiste-se que, “nos casos em que há coabitação com familiares fumantes, existe um risco 1,5 vezes superior de um aluno fumar”.

Outro dos autores, o coordenador da equipa do LBIM, Francisco Caramelo, reforça que “existe um efeito cumulativo, ou seja, quem começa a fumar dificilmente deixa de o fazer, e a probabilidade de fumar aumenta cerca de 1,5 vezes por cada ano”. Isto apesar de 95,8 dos inquiridos dizerem que conhecem os efeitos secundários do tabaco. Mesmo assim, a consciência sobre os efeitos é maior nos não fumadores (97,5%) do que nos fumadores (88,5%).

Menos consultas
Os dados relativos aos jovens surgem numa altura em que tanto as consultas para deixar de fumar como as vendas de produtos antitabagismo estão em queda. Segundo os dados da consultora IMS Health, citados pela Lusa, todos os dias são consumidos por fumadores que tentam deixar de fumar 357 embalagens destes produtos. Entre Setembro de 2014 e Setembro de 2015 foram vendidos em farmácias e para-farmácias 130.390 embalagens de produtos antitabagismo, menos 33.174 do que no mesmo período do ano anterior. Em valor, os fumadores já gastaram neste ano cerca de 3,2 milhões de euros na compra destes produtos, ainda assim, menos cerca de 386 mil euros do que no ano anterior.

As consultas de cessação tabágica também têm vindo a diminuir, segundo os últimos dados disponíveis, do relatório anual da Direcção-Geral da Saúde sobre prevenção do tabagismo, apresentado em Novembro de 2014. As consultas do Serviço Nacional de Saúde para ajudar a deixar de fumar, entre 2009 e 2013, diminuíram de 25.765 para 21.577 e o número de utentes atendidos nas consultas de apoio intensivo à cessação tabágicas baixou de 7748 para 5377, enquanto o número de locais de consultas para esse fim caiu de 223 para 116. Apesar disso, em 2016, com um ano de atraso, começará finalmente a funcionar uma linha telefónica de cessação tabágica, coordenada pela Linha Saúde 24.

Receitas do imposto sobre o tabaco estão em queda

Em 2015, o governo passou também a tributar charutos e cigarrilhas
Para cumprir o objectivo inscrito no OE, o governo terá de arrecadar mais de 500 milhões de euros até ao final do ano.

O Estado encaixou 970,3 milhões de euros com o Imposto sobre o Tabaco até Setembro deste ano e, para cumprir o objectivo inscrito no orçamento, terá de arrecadar mais de 500 milhões de euros até ao final do ano.

De acordo com a síntese da execução orçamental até Setembro, divulgada pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO), o Imposto sobre o Tabaco (IT) representou receitas de 970,3 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, menos 5% face ao mesmo período de 2014.

Tendo em conta que o objectivo de receita fiscal deste imposto previsto no Orçamento do Estado para 2015 (OE2015) era de 1.505,1 milhões de euros, será ainda preciso arrecadar mais 534,8 milhões de euros nos últimos três meses do ano para cumprir aquela meta.

De acordo com a síntese da execução orçamental de Dezembro de 2014, a receita arrecadada com o Imposto sobre o Tabaco no ano passado atingiu os 1.400,2 milhões de euros, um aumento de 6,6% em relação ao ano de 2013.

Em 2015, o Governo alargou o Imposto sobre o Tabaco ao rapé, tabaco de mascar, tabaco aquecido e cigarros electrónicos, passando também a tributar charutos e cigarrilhas, justificando a medida com "razões de defesa da saúde pública, bem como de equidade fiscal, uma vez que são produtos que se apresentam como substitutos dos produtos de tabaco".

Além disso, foi também introduzido um montante mínimo de imposto na tributação dos charutos e cigarrilhas, justificado pelo Governo "sobretudo por razões de equidade, neutralidade fiscal, saúde pública e de defesa da concorrência, uma vez que este tipo de produtos tinha um tratamento fiscal mais favorável quando comparado com outros tabacos manufacturados".

Lusa

O tabagismo no dia europeu da saúde oral


O cancro oral é um dos que tem maior taxa de mortalidade. O dia europeu da saúde oral, que se assinala este sábado, dia 12, alerta para a doença.

António Varela tem 74 anos e chegou a fumar 80 cigarros por dia. Não contraiu cancro oral mas foi perdendo todos os dentes devido ao efeito do tabaco. António perdeu a capacidade de mastigar e só agora, com os implantes concretizou um desejo antigo: comer um bife da vazia.

O tabaco e o álcool são os principais fatores de risco do cancro oral. O dentista Énio Pólvora explica que o cancro oral é inicialmente silencioso e por isso difícil de detetar pelos pacientes. O médico deixa no entanto uma pista: as pessoas devem estar atentas à mudança de coloração das gengivas e a lesões que não cicatrizam depressa.

O cancro oral é um dos carcinomas com maior taxa de mortalidade em Portugal. Estima-se que, por ano, morram cerca de 500 pessoas.

Fonte: TSF

Fumar aumenta o risco de câncer de pâncreas



Além da idade (acima dos 70 anos), o tabaco aumenta o risco de câncer de pâncreas. Fumantes têm quatro vezes mais chances de desenvolver esse tipo de tumor em relação a quem não fuma. A história familiar de câncer de pâncreas também deve ser levada em consideração, alerta o cirurgião digestivo Filipe Augusto.

Existe também relação da doença com o consumo de bebidas alcoólicas, dieta rica em sal e alimentos condimentados. A doença também está relacionada ao consumo excessivo de gordura e de carnes e exposição a compostos químicos, como solventes e derivados do petróleo.

Obesos, diabéticos tipo 2, pessoas com pancreatite crônica, também têm mais chances de desenvolver a neoplasia. Na maioria das vezes o diagnóstico é tardio, sendo feito pela história clínica associada à exames laboratoriais e de imagem, como a tomografia do abdômen.

Sabe qual o país em que menos se fuma ??


Turcomenistão, o país em que menos se fuma no mundo!
Apenas 8% da população é fumante. Em 1990, 27% dos homens maiores de 15 anos e 1% das mulheres fumavam no país. Mas, em 2000, as autoridades proibiram o fumo em locais públicos, edifícios governamentais, no exército e qualquer publicidade de cigarroAFP
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Sabe qual o país em que menos se fuma ??
 
O Turcomenistão, ex-república soviética da Ásia Central, é o país em que menos se fuma no mundo, anunciou nesta terça-feira a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan. "Um estudo recente da OMS mostra que somente 8% da população fuma no Turcomenistão", declarou Chan, durante um fórum médico internacional em Asjabad, capital do país.

"É a taxa nacional mais baixa do mundo. Os parabenizo por este progresso", ressaltou, citada pelos meios de comunicação estatais, dirigindo-se ao presidente do país, Gurbanguly Berdymujamedov.

Um dos países mais isolados do mundo, o Turcomenistão ratificou em 2011 a convenção da OMS para a luta antitabaco.

Em 1990, 27% dos homens maiores de 15 anos e 1% das mulheres fumavam no país.Mas, em 2000, as autoridades proibiram o fumo em locais públicos, edifícios governamentais e no exército. A publicidade de cigarro também é proibida.

Dentista de formação, o atual presidente chegou ao poder em 2006 após a morte do ditador Saparmurat Niazov, que instaurou um grande culto de personalidade no país.

O ex-ditador, que lutava sem trégua contra o tabagismo, construiu uma escada de 36 quilômetros de extensão nas montanhas, perto da capital, e obrigava os membros do governo a percorrê-la uma vez por ano para melhorar sua saúde.

Estatísticas dos fumadores na Europa e Portugal

Um em cada quarto portugueses (25%) é fumador, mais dois pontos percentuais do que em 2012, 12% deixaram de fumar e quase dois terços (63%) nunca fumaram, segundo um inquérito Eurobarómetro hoje divulgado, em Bruxelas.
Na União Europeia (UE), a média de fumadores é de 26%, uma quebra de dois pontos na comparação com o inquérito de 2012.

Em Portugal, fumam mais os homens (34%) do que as mulheres (18%), em linha com a média da UE: 31% e 22%, respetivamente.
É na faixa 25-39 anos que se concentra a maior percentagem de fumadores portugueses (38%), seguindo-se a dos 40-54 (35%), a dos 15-24 (22%) e mais de 55 anos (13%).

Na UE, a faixa 40-54 é a que apresenta maior quota de fumadores (34%), seguindo-se a 25-39 (33%), 15-24 (25%) e mais de 55 (17%).

Em Portugal, 32% dos fumadores já tentaram abandonar o hábito (UE 59%), 9% dos quais no último ano (UE 19%), contra um total de 68% que responderam nunca terem tentado deixar de fumar (UE 40%).

Os cigarros de maço são o produto de tabaco mais fumado, fazendo as preferências diárias de 83% dos consumidores portugueses (UE 76%), seguindo-se os de enrolar, para 16% (UE 24%).
As cigarrilhas são fumadas diariamente por 4% dos portugueses (UE 4%), os charutos por 3% (UE 4%) e o tabaco de cachimbo por 1% (UE 1%).
Os cigarros eletrónicos são a escolha de 2% dos fumadores portugueses, em linha com a média da UE, sendo que 1% responderam ter usado e desistido (UE 3%) e 3% experimentaram e desistiram (UE 7%).

No total, 6% dos portugueses já experimentaram o cigarro eletrónico (UE 12%), mais os homens (PT 7%, UE 13%) do que as mulheres (PT 4%, UE 10%).
A maioria dos fumadores em Portugal (55%) começou na faixa entre 15 e os 18 anos, 21% começaram a fumar antes dos 15 anos e 20% entre os 19 e os 25.

Na UE, 53% dos fumadores começaram entre os 15 e os 18 anos, 22% entre os 19 e 25 e 19% antes dos 15 anos.

Em relação ao fator que determina a escolha de uma marca de cigarros, o sabor é a escolha de 93% dos fumadores portugueses (UE 87%), seguindo-se o preço (PT 90%, UE 69%), a marca (PT 84%, UE 66%), o teor de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono (PT 71%, UE 47%) e a embalagem (PT 50%, UE22%).
O inquérito Eurobarómetro sobre as atitudes dos europeus face ao tabaco foi realizado no âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala no domingo.

Lusa/SOL

Associação Nacional AVC lança um desafio: não fumar por 16 horas

Fumar faz mal à saúde, mas também à carteira. Por um lado surgem as muitas doenças que impedem de trabalhar e obrigam a toma de medicamentos, diminuindo o bem-estar e a produtividade. Pelo lado mais prático da coisa, são os euros a sair da carteira por cada maço de cigarros. A pensar na primeira questão a Associação Nacional AVC lança um desafio: não fumar por 16 horas.
Em Portugal morrem todos os anos 1000 pessoas vítimas de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e o tabaco é um dos principais fatores de risco para essa situação, contribuindo para 12% a 14% de todas as morte, alerta a Associação Nacional AVC.
Ora, como no dia 31 de maio é Dia Mundial sem Tabaco, a Associação lança um desafio a todos os fumadores, "com o objetivo de combater a doença". O desafio é: estar 1000 minutos sem fumar.
Parece simples, mas para um fumador vai exigir muita força de vontade, e quem sabe se não será o início para acabar com os cigarros de vez.
"Os últimos estudos na área indicam que os fumadores têm uma probabilidade de sofrer AVC 3 vezes maior do que os não fumadores. O consumo de 20 cigarros por dia, por exemplo, aumenta em 6 vezes o risco de AVC. Sensibilizar a população para esta realidade deverá ser uma prioridade das entidades governamentais e de todas as Instituições que trabalham em prol dos doentes e familiares. Por isso, decidimos lançar este repto, desafiando os fumadores a não consumirem tabaco durante 1000 minutos, em homenagem a todos os portugueses que morrem anualmente vítimas de AVC no nosso país", afirma Clara Fernandes, presidente da Associação Nacional AVC.
A Associação refere ainda outros problemas de saúde associados ao tabagismo, como o aumento do mau colesterol, reduz o bom colesterol e potencia o desenvolvimento da hipertensão arterial. Um fumador com hipertensão arterial tem uma vulnerabilidade 15 vezes maior de sofrer um AVC Hemorrágico.
Se ainda não está convencido faça as contas. Se fumar, em média, um maço de cigarros por dia, gastará 30 euros por semana, 120 euros por mês, 1.440 euros por ano e 14.400 euros em 10 anos. Feitas bem as contas, até dava para umas férias interessantes.
Porque deve parar de fumar?
Dentro de 8 horas os seus níveis de oxigénio voltam ao normal e os níveis de monóxido de carbono reduzem para metade. Suba uma escadas depois desse tempo e verá a diferença.
48 horas depois as suas capacidade de gosto e de olfato melhoram. Entre numa perfumaria, ou coma algo que goste muito.
Dentro de 72 Horas torna-se mais fácil respirar e os seus níveis de energia aumentam. Tente correr nem que seja para acompanhar uma nuvem.
Depois de 1 mês a sua pele melhora significativamente.
Entre 3-9 meses, qualquer tipo de tosse ou pieira diminui e o funcionamento dos seus pulmões aumenta pelo menos 10%.
Após 1 ano o seu risco de ataque cardíaco reduz para metade.
Após 5 anos o seu risco de AVC é praticamente igual ao de um não fumador.
Após 10 anos o seu risco de desenvolver cancro do pulmão desce para metade.

Após 15 anos o risco de sofrer um ataque cardíaco é o mesmo de alguém que nunca fumou.

O cancro do pulmão está a tornar-se no maior assassino de mulheres

O cancro do pulmão está a ultrapassar o cancro da mama como a doença oncológica que mais mulheres mata em países desenvolvidos.

A conclusão é da Sociedade Americana do Cancro, que conduziu um estudo em colaboração com a Agência Internacional de Pesquisa do Cancro, e foi revelada esta quarta-feira, o dia mundial da luta contra a doença oncológica. A pesquisa reúne dados de 184 países.

Historicamente, o cancro do pulmão atingia sobretudo os homens, mas desde o final dos anos 80 que a doença é cada vez mais diagnosticada entre as mulheres. A explicação é simples: as mulheres aderiram mais tarde ao vício do tabaco, e ainda hoje continua a subir em vários países o número de jovens fumadoras, enquanto o número de rapazes que começa a fumar estabilizou ou desceu.

Perante o drama do cancro, que só em 2012 matou 8,2 milhões de pessoas em todo o mundo, os autores do estudo apelam a uma “resposta coordenada e intensificada” dos governos, dos cidadãos e do sector privado.

Fonte: Jornal Sol

Estudo revela: No minho as crianças começam a fumar aos 11 anos

Os jovens do Minho começam a fumar aos 11 anos de idade, três anos mais cedo do que a média nacional (14 anos), segundo revela um estudo do Agrupamento de Centros de Saúde Cávado II – Gerês-Cabreira, que abrange Amares, Terras de Bouro, Vila Verde, Vieira do Minho e Póvoa de Lanhoso.
Estas crianças começam a fumar três anos mais cedo que a média nacional
Por isso, os profissionais de saúde da região irão continuar a trabalhar sempre em equipa e incidindo – em face destas conclusões – junto das crianças do primeiro ciclo do ensino básico.
No estudo científico, a que o SOL teve acesso, apurou-se que a idade média de consumo do primeiro cigarro é de 11 anos e a média de idades do consumo diário de jovens fumadores é mais ou menos de 13 anos, de acordo com o mesmo estudo. Mas a percentagem de jovens fumadores vai entretanto diminuindo, do 7º ano para o 12º ano, de 94,8% menos, de 86,9% menos e de 74,8% menos, nos sucessivos escalões etários.
“A experimentação do tabaco em idade tão precoce é um fenómeno social quando ainda não têm as crianças um aparelho cognitivo e capacidade para gerirem essas situações”, como disseram a médica Ivone Alves e a enfermeira Lurdes Gonçalves, que integram um grupo de trabalho no terreno desde 2013.
Entre os seis mil alunos dos onze agrupamentos escolares dos cinco concelhos, há uma prevalência de 13,1% para consumo de tabaco entre os jovens dos 13 aos 18 anos, ainda de acordo com o levantamento realizado. O estudo revelou igualmente que 33,2% dos jovens da nossa região passaram pela fase de experimentação e desses 40% mantiveram o consumo de tabaco.
Quanto aos adultos – os profissionais da educação – a percentagem é de 18%, situação “que nos preocupa muito, porque são modelos para os alunos, quer os professores, quer ainda os funcionários como os auxiliares e os administrativos”, como nos referiram as mesmas responsáveis. Por outro lado, 30,5% dos alunos têm familiares que consomem tabaco ao ar livre, uma outra situação “preocupante”, segundo as mesmas responsáveis.
Os principais motivos indicados pelos jovens para fumarem são “por ser nervoso/para libertar preocupações e problemas” (26,8%), seguido de “dar conforto e dar prazer” (18,8%) e 26,8% não responderam.
“Tinha que se mudar esta situação. O que estamos a fazer no terreno é achatar esta curva. Isto é, era preciso atacar por várias frentes este problema do tabagismo nos mais jovens, fazendo a prevenção primária, mas que terá os seus frutos mais tarde”, afirmou ao SOL a enfermeira Lurdes Gonçalves. Por essa razão o ACEs do Gerês-Cabreira abriu também uma consulta de cessação tabágica que contribuiu já para debelar tal situação.
O projecto dirige-se directamente aos alunos do terceiro ciclo e do ensino secundário, tratando-se de mais de seis mil alunos nos onze agrupamentos dos cinco concelhos. “Há uma situação que nos preocupa, que é o facto de os jovens conviverem na companhia de fumadores, havendo assim uma grande exposição ao consumo de tabaco e em ambientes fechados, o que é ainda mais gravoso”.
O projecto multidisciplinar, que vai no seu segundo ano, preconiza uma intervenção junto dos jovens para diminuir a exposição ao consumo de tabaco.
Intervir no primeiro ciclo
“Para o futuro queremos intervir também no primeiro ciclo do ensino básico (a antiga escola primária) para reforçar uma componente que já existe, a nível curricular, mas nós queremos envolver os seus encarregados de educação e também toda a comunidade”, salientaram Ivone Alves e Lurdes Gonçalves.
“Aquilo que está provado a nível internacional é que a probabilidade de diminuirmos o consumo de tabaco com estas acções é maior nestas idades e em todo o parque escolar destes cinco concelhos”, segundo as mesmas profissionais de saúde revelaram ao SOL.
“É entre o 7º e o 8º ano de escolaridade, com idades entre 12 e 14 anos, que os alunos costumam iniciar-se no consumo de tabaco, tentando fazer uma imunização nessa fase de descoberta e de construção, sendo preciso ‘vaciná-los’, neste caso dando-lhe uma espécie de ‘segunda dose’ dessa mesma ‘vacina’ para ficarem mais imunes”, explicou a enfermeira Lurdes Gonçalves.
“A ‘terceira dose’ é entre os ensinos de grau secundário e o universitário, quando a vida aperta um bocado com algum stress e eles vão buscar uma ‘bengala’, mas quem conseguiu dizer não até essa fase dificilmente começará depois a fumar, por isso o ano lectivo passado fizemos um investimento maior no terceiro ciclo do ensino básico do que no secundário”, destacou a médica Ivone Alves.

Notícia Jornal SOL

Cigarro eletrônico pode salvar vidas

O cigarro eletrônico é ao menos tão eficaz quanto o adesivo de nicotina para ajudar a pessoa a parar de fumar, segundo um estudo neozelandês sobre este controvertido paliativo.
Publicado pelo jornal médico The Lancet, o estudo dirigido por Chris Bullen, da Universidade de Auckland, sugere que o cigarro eletrônico é comparável ao adesivo de nicotina para ajudar os fumantes a largar o vício por ao menos seis meses.
Na realidade, este estudo realizado com 657 fumantes que queriam deixar de fumar mostra a eficácia um pouco maior do cigarro eletrônico, apesar da diferença ser considerado "estatisticamente não significativa".
O cigarro eletrônico pode salvar as vidas de milhões de fumantes, afirmaram os participantes de uma conferência sobre a rápida expansão deste dispositivo da qual participaram especialistas, políticos e empresários.
No entanto, outros participantes destacaram que, por enquanto, não há informações sobre os efeitos nocivos do dispositivo, particularmente a longo prazo.
O cigarro eletrônico tem perdido a aura de artigo sofisticado e está ganhando adeptos como uma forma relativamente eficaz de parar de fumar, com o apoio de um número crescente de estudos favoráveis. As vendas dobraram e estima-se que sete milhões de pessoas fumem cigarros eletrônicos.
Segundo Robert West, professor de saúde mental e diretor de estudos sobre o tabaco na Escola Universitária de Londres (UCL), os cigarros matam 5,4 milhões de pessoas por ano no mundo.
Segundo ele, o uso de cigarros eletrônicos pode salvar milhões de vidas, mas seria preciso saber "se é possível alcançar esse objetivo e como atingi-lo da melhor forma" possível.
Jacques Le Houezec, consultor em saúde pública e dependência do tabaco, afirmou aos presentes que os cigarros eletrônicos contêm algumas substâncias nocivas, mas seus níveis de toxicidade são de 9 a 450 vezes inferiores aos dos cigarros de tabaco.
Cigarro eletrônico seria tão eficaz quanto adesivo de nicotina
Já Deborah Arnott, diretora executiva do grupo de pressão antitabaco ASH, considerou que os cigarros eletrônicos podem permitir avanços no campo da saúde pública, mas advertiu que ainda não há informações suficientes acerca dos seus efeitos, reforçando que a indústria do tabaco está começando a controlar a fabricação de cigarros eletrônicos.
— Muitas das maiores companhias de cigarros eletrônicos já foram absorvidas. A ASH acredita que os cigarros eletrônicos têm um potencial significativo. São muito menos prejudiciais que o tabaco, No entanto, sem regulamentação, sua segurança e eficácia não estão garantidas.
Cigarro ainda é responsável por muitas mortes no Brasil
Além disso, segundo Arnott, "se chegam a ter agentes cancerígenos, não veremos seus efeitos imediatamente, mas 10, 15 ou 20 anos depois as pessoas vão morrer disso", acrescentou.
As autoridades sanitárias dos países ocidentais afirmam que ainda é prematuro para avaliar os impactos a médio e longo prazo de um fenômeno recente como o do cigarro eletrônico.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) sustenta que a segurança dos cigarros eletrônicos não foi verificada cientificamente.
Mas os relatórios científicos e médicos destacam cada vez mais que sua periculosidade é muito inferior à dos cigarros verdadeiros.
A OMS adverte que "também não foi provada cientificamente" a eficiência dos sistemas eletrônicos de administração de nicotina para parar de fumar.
Um estudo neozelandês publicado em setembro pela respeitada revista científica The Lancet sustentou que o novo dispositivo é "pelo menos igual em eficácia aos adesivos de nicotina" para ajudar um fumante a abandonar o vício.
A principal crítica ao cigarro eletrônico é que, embora possa ajudar a abandonar o tabaco, também pode incentivar o fumo em muitos jovens que nunca o fizeram, criando dependência em nicotina e, por fim, levando-os ao tabagismo.

Estudo: Cigarro eletrônico não oferece benefícios ao fumante

Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira concluiu que os cigarros eletrônicos não fazem com que as pessoas deixem de fumar ou passem a fumar menos.

Pesquisa observou que uso do dispositivo não ajuda a parar de fumar ou a reduzir o número de cigarros comuns consumidos
O estudo, feito na Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos, se baseou nos dados de 949 fumantes, dos quais 88 faziam uso de cigarros eletrônicos quando a pesquisa começou.
Após acompanhar os participantes por um ano, a equipe observou que a taxa de pessoas que conseguiram parar de fumar foi semelhante independentemente do uso de cigarro eletrônico. Além disso, o dispositivo não alterou o padrão de consumo dos fumantes ao longo do ano — ou seja, não fez com que eles consumissem mais ou menos cigarros comuns. Esses resultados foram divulgados no periódico Jama Internal Medicine.

A proposta dos cigarros eletrônicos é possibilitar que uma pessoa obtenha nicotina sem se expor aos prejuízos da queima do fumo e sem perder a sensação prazerosa que o dependente sente ao fumar. Pesquisas sobre a eficácia dos cigarros eletrônicos têm resultados conflitantes — algumas apontam que eles ajudam um indivíduo a fumar menos, outras sugerem que a tecnologia não é benéfica à saúde. No Brasil, a venda e a importação — mas não o uso — de cigarros eletrônicos são proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"Nossos dados acrescentam evidências à ideia de que os cigarros eletrônicos podem não elevar as taxas de abandono do tabagismo. Leis devem proibir propagandas que sugerem que esses cigarros são tão eficazes quanto dispositivos que ajudam a parar de fumar, como adesivos de nicotina, até que isso tenha comprovação científica", dizem os autores da nova pesquisa.

Cigarros electrónicos são dez vezes mais cancerígenos !

O nível de formaldeído é dez vezes superior ao
detectado no fumo dos cigarros convencionais
Em Agosto, a OMS recomendou a proibição de venda de cigarros electrónicos a menores de idade

Os cigarros electrónicos contêm até dez vezes mais agentes cancerígenos do que o tabaco convencional, de acordo com uma investigação levada a cabo por uma equipa de cientistas japoneses, revelada hoje.

Uma equipa de investigadores, comissionada pelo Ministério da Saúde do Japão, descobriu cancerígenos, como formaldeído e acetaldeído, no vapor produzido por vários tipos de líquido existentes no cigarro electrónico, informou a televisão TBS.
O nível de formaldeído é dez vezes superior ao detectado no fumo dos cigarros convencionais, indicou a TBS.
A investigação da equipa do Instituto Nacional de Saúde Pública, liderada pela cientista Naoki Kunugita, foi entregue hoje ao Governo, segundo a estação televisiva.
À semelhança de um vasto universo de jurisdições, o Japão não tem regulamentação para os cigarros electrónicos, os quais podem ser comprados com facilidade através da Internet. Contudo, ao contrário de alguns países do Ocidente, não estão disponíveis para venda nas lojas.
Em Agosto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou a proibição de venda de cigarros electrónicos a menores de idade, por considerar que o consumo acarreta "ameaças graves" para os adolescentes e fetos.
Os peritos aconselharam também a interdição ao consumo de cigarros electrónicos em espaços públicos fechados, segundo um documento publicado pela OMS.
Um estudo realizado por investigadores britânicos, divulgado no final de Julho pela publicação científica ScienceDaily, aponta, por outro lado, o cigarro electrónico como sendo menos prejudicial do que o tabaco convencional.
De acordo com a ScienceDaily, a revisão feita pelos investigadores da Universidade de Queen Mary de Londres concluiu que, apesar dos efeitos do uso dos cigarros electrónicos serem desconhecidos, são menos prejudiciais comparativamente aos cigarros convencionais.
A revisão científica foi conduzida por uma equipa internacional que lidera há anos pesquisas sobre os efeitos do tabaco.
Lusa/SOL

Tabaco mata 30 por dia


A maioria dos fumadores tem pouca vontade de deixar de fumar. 
Tabaco mata 30 por dia
Tabaco mata 30 por dia


O tabaco mata por ano cerca de 11 mil pessoas em Portugal, ainda assim, a grande maioria dos fumadores tem pouca vontade de deixar de fumar e as consultas de cessação tabágica têm vindo a diminuir, segundo um relatório. "Portugal - Prevenção e Controlo do Tabagismo em números 2014" é o título do relatório da Direção-Geral da Saúde, que será apresentado esta terça-feira e que revela que mais de 10% do total de mortes anuais em Portugal (11 mil) se devem ao consumo de tabaco e que 845 óbitos se deveram à exposição ao fumo passivo, 96% dos quais devido a doenças cardiovasculares, segundo dados referentes a 2010. 
Apesar desta realidade, o estudo revela que a maioria dos fumadores não está motivada para deixar de fumar. Citando os resultados do III Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População, o relatório indica que cerca de 19% dos inquiridos fumadores responderam não ter interesse em parar de fumar, cerca de 65% responderam ter um interesse ligeiro ou moderado e 17% um forte interesse em parar de fumar. Apenas 2,5% dos inquiridos fumadores responderam que, com toda a certeza, iriam tentar parar de fumar nas próximas duas semanas, mais de metade respondeu negativamente a esta questão e cerca de 43% revelaram-se hesitantes. 
O teste de Richmond, que avalia a motivação para a cessação tabágica, também citado pelo relatório, revela por sua vez uma realidade ainda mais negativa: a grande maioria dos consumidores (85,5%) tem uma motivação baixa, 12,6% uma motivação moderada e apenas 1,8% uma motivação elevada para deixar de fumar. A perceção dos riscos do fumo também parece não ser clara para os inquiridos no III Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas, já que "apenas 66% da população dos 15 aos 64 anos considerou que fumar um ou mais maços de tabaco por dia tinha um elevado risco para a saúde, cerca de 4% considerou que tinha pouco ou nenhum risco". Hospitais e Centros de Saúde oferecem ajuda a deixar de fumar Para tratar a dependência tabágica, alguns hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e centros de saúde oferecem consultas para ajudar a deixar de fumar. No entanto, em 2014, apenas cerca de 70% dos Agrupamentos de Centros de Saúde ofereciam este tipo de consultas e o número de equipas para a realização destas consultas tem diminuído nos últimos anos, embora sem uma redução significativa do número anual de consultas efetuadas. 
O relatório destaca a "inexistência de um sistema de informação adequado a esta área de intervenção", o que "limita a possibilidade de dispor de dados nacionais sobre o trabalho realizado nestas consultas, em particular, no que se refere às intervenções breves". 
Nos últimos quatro anos (entre 2009 e 2013), em Portugal continental, o número total de consultas de cessação tabágica diminuiu de 25.765 para 21.577, o número de utentes atendidos nas consultas de apoio intensivo à cessação tabágicas baixou de 7.748 para 5.377, enquanto o número de locais de consultas para esse fim caíram de 223 para 116. 
O relatório aponta ainda dados do Inquérito Nacional sobre Asma, que indicam que a exposição ao fumo ambiental do tabaco em casa foi reportada por 26,6% dos inquiridos, 39% dos quais eram crianças e jovens com menos de 25 anos.